Não sei se tenho o direito de chamar o que escrevi de poema, mas são minhas idéias e afetos, lapidados, e transcritos.

Alguns dizem que a arte nasce da tristeza, claro que isso não pode ser tomado como uma verdade absoluta, mas com certeza, o sofrimento fez com que alguns artistas, se inspirassem e criassem  sua(as) obra(as), seja música, poema, filme, quadro, etc. Digo que o processo de criação foi excelente, para mim é maravilhoso escrever, mas as circunstâncias que me levaram a escreve-lo foram horríveis.

Essa frase ilustra bem o momento que estou vivendo:

“Le pire moment de l’amour, c’est quand nous avons à oublier qui a appris à aimer.”

Bom, aí está.

Tolo

Minha sombra me assombra,
Resquícios do que sou, ou penso ser,
Manifestam-se em “analogia”.

Da minha vida se alimenta,
Como verme grotesco que se nutre da carcaça pútrida.
Finge que não vê, diz ser boníssimo, mas não me engana.
Efêmero, simulado, hipócrita, tu sabes o que faz!

Diabo olha, ri, bate palmas,
Aprecia seu reflexo mofino na criação divina,
Enquanto minha cara é encharcada pela dor.
O rum que me embriagava venturosamente, é o mesmo que me corrompe.

Sei que não é o pivô do meu desfalecimento,
Mas o pivô não consigo culpar, odiar, ou deixar de amar, portanto lhe incrimino.
Sou tolo! Prostro-me rotineiramente indagando: Meu pecado foi tão grande?
Pois a penitência é inexplicável.

Estou exacerbado, mas não falo.
Já esperei, mas talvez espere.
Não perturbo, sou antagônico, dou atenção e carinho,
Mas se escolherdes esse caminho tomara que não caia, pois não estarei aqui!

3 de Setembro de 2008